FACIDEIA MARKETING
← Voltar pro blog

31 de outubro de 2026

9 vícios de escrita que dão aquele cheirinho de IA (e, spoiler: o problema nunca foi o travessão)

Ester Valentim

Ester Valentim

9 vícios de escrita que dão aquele cheirinho de IA (e, spoiler: o problema nunca foi o travessão)

Recentemente, subi um degrauzinho na escadinha do copywriter e hoje eu reviso muito mais textos do que antes. Textos de clientes, de redatores, de gente que escreve bem, de gente que escreve correndo… enfim, de tudo um pouco.

E, além disso, escrevo há dois anos usando o ChatGPT (conteúdo LEGAL do tipo que ninguém diz que veio de lá) então posso dizer com propriedade o que entrega uma IA na hora.

E por que isso importa? Porque, se o seu leitor SEQUER COGITAR que seu texto tem cara de escrito por máquina, ele não fala nada… mas passa reto.

Ninguém quer fingir que está lendo algo "humano" quando claramente não está. Então aqui vai minha lista:

1. Título com Todas as Palavras Começando em Maiúscula

Uai… esse formato é praticamente um cartão de visita da IA. Parece elegante, mas entrega o jogo rapidinho.

E o mais curioso? Tem até fundamento histórico pra esse trem aparecer tanto.

Antes do Acordo Ortográfico de 2009, era comum (e até correto) escrever títulos com Todas As Palavras Assim.

Então a IA, que aprende com zilhões de textos antigos e recentes misturados, absorve esse padrão como se fosse regra universal e replica sem pensar duas vezes.

2. Pergunta retórica demais vira interrogatório, não conversa

A IA AMA esse jeitinho engessado:

"A verdade? Investir cedo muda tudo."

"O segredo? Diversificar."

Uma vez ou outra no texto tudo bem. Mas sempre? Vários parágrafos? Menos, né?

3. Título com dois pontos (CLICHÊ!)

Era até normal na época da IA e, alguns formatos, como artigo, é até aceitável, mas não dá pra escapar. Títulos como "Renda variável: o que os investidores não te contam" deixam muito na cara.

Uma simples pergunta como título é básico, rápido e tem beeeem menos cara de máquina.

4. Letra maiúscula depois de dois pontos

Dá duas cambalhotas para trás quem nunca se deparou com:

"Ela tinha um objetivo claro: Conquistar novos clientes."

Parece bonito? Parece. Mas tá gramaticalmente errado em 99% dos casos. Em português, quando a frase continua, a letra segue minúscula mesmo. Tipo assim: "Ela tinha um objetivo claro: conquistar novos clientes."

A exceção é quando o que vem depois é fala, citação, enumeração ou nome próprio.

5. Termos genéricos demais (o vocabulário padrão do robozinho)

A IA tem um repertório de uma porta e repete um monte de palavras como se fossem o auge da eloquência.

Eis as que eu já percebi e praticamente a proíbo de usar: "insights", "crucial", "fundamental", "essencial", "mergulhar", "navegar", "revolucionário", "inspirador", "valioso", "significativo", "em um mundo", "não apenas, como também", "otimizar", "contínuo", "vital"…

Esqueci de alguma?

6. O famoso: "Não é isso. É aquilo." versão finanças

Você já viu por aí: "Não é só investir. É construir patrimônio."

Ou: "Não é só guardar dinheiro. É fazer o dinheiro trabalhar."

Cria contraste? Cria. Mas, quando vira hábito, nu… fica mais previsível que boleto no começo do mês.

7. Repetição em escadinha

Tipo assim:

"Você não precisa de outro simulador.

Você não precisa de outra planilha.

Você só precisa entender seus números."

Até parece que dá impacto, mas, como padrão, perde força rapidinho, e a IA usa igual renda fixa: todo dia, todo texto.

8. Adjetivo que enfeita, mas não explica nada

"Retorno incrível."

"Estratégia sólida."

"Crescimento extraordinário."

São palavras bonitas, mas vazias. Quando explicar algo, prefira adjetivos que ajudem o leitor a visualizar: risco baixo, prazo curto, taxa travada, objetivo claro.

9. "Sem ISSO. Sem AQUILO. Só AQUILO OUTRO."

Ex: "Sem dicas milagrosas. Sem enrolação. Só estratégia."

Parece forte… até você perceber que já leu essa estrutura em uns 300 textos diferentes. É o selo: "escrevi no Chat".

Esqueci de alguma?

Quer uma estratégia assim pro seu conteúdo?

Falar no WhatsApp