31 de outubro de 2026
8 situações em que o ChatGPT não chega nem perto de um copywriter profissional

Ester Valentim

Outro dia vi um querido dizendo: "Precisamos falar da expectativa de que a IA vai transformar qualquer entrega de marketing num trabalho de dois minutos." Depois de aplaudir, eu quis tatuar a frase inteira na minha testa.
Então nesse texto eu vou mostrar situações reais do meu trabalho pra ilustrar porque ao me contratar você vai estar contratando uma pessoa e não uma IA (quais são as vantagens disso) e o que você perde por seguir acreditando que é melhor jogar tudo no colo da IA.
1. Criar estratégia de comunicação autêntica
Estratégia de comunicação não é apenas decidir sobre O QUE falar. É decidir COMO falar! Qual tom usar, quais referências fazem sentido e como construir uma identidade reconhecível.
Eu senti isso na prática quando decidi começar a escrever artigos e conteúdos para que mais pessoas conhecessem o meu trabalho.
Eu sabia que não bastava escrever textos corretos. Eu precisava construir um estilo de escrita que tivesse personalidade, algo que fizesse a pessoa bater o olho e pensar: "isso aqui tem a cara da Ester".
Talvez você já tenha percebido algumas coisas como "esse trem", "uai, sô" e algumas analogias e expressões mineiras. Em vários momentos eu também chamo alguém de "diva" ou FALO EM MAIÚSCULOS ASSIM PRA CHAMAR SUA ATENÇÃO.
Infelizmente não dá pra ir no Chat e pedir pra ele criar mais características como essas pra mim (acredite, eu tentei kkkk).
O que eu faço é:
- Decido um tema (as vezes até peço ajuda pra isso vai, mas nem sempre aceito);
- Falo pra ferramenta o que eu quero que tenha no texto (sim, eu falo! E graças a Deus o mundo evoluiu pra isso porque antes eu até pensava em fazer um seguro pras minhas mãos kkkkk);
- Peço pra IA reescrever com alterações minhas;
- Reescrevo de novo dessa vez com meus belos dedinhos adicionando o sal e tempero verde (meu jeitin de falar kkkk);
Foi o exato processo deste texto que vos fala.
2. Entender profundamente o público que vos fala
Quando você pede para uma IA explicar um público, ela devolve um resumo do que tá por aí na internet. O grandessíssimo problema é que você não sabe exatamente de onde vieram aquelas informações. Se foi vozes da minha cabeça, se os dados são de 1900-e-guaraná-com-rolha…
A ferramenta não apresenta as fontes detalhadas e nem permite verificar facilmente se os dados estão atualizados ou se realmente representam o público que você quer atingir.
Recentemente, por exemplo, eu estava fazendo um estudo de público para uma cliente que queria alcançar mais empreendedores. Eis a forma como eu utilizei o Chat GPT como aliado no processo:
- Formulei perguntas: o que eu quero saber? Quantidade de empreendedores no brasil? Idade? Sexo? Sonhos? Dores? Etc.
- Pedi que a ferramenta me sugerisse relatórios onde eu poderia encontrar essas informações.
- Fui atrás desses relatórios (foram uns 10 ao total kkk) e, principalmente, as versões mais atualizadas desses relatórios.
Tá vendo que eu não encarreguei a ferramenta de fazer o trabalho todo? E é por isso que ficou bom 😉
Com essas informações organizadas, consegui montar para a cliente um estudo de público baseado em dados reais, não apenas em suposições.
3. Ler comentários e observar comportamento real
Muitas vezes uma simples pergunta deixada por um usuário vira uma ideia de conteúdo, de artigo, de vídeo. Por isso, estou SEMPRE estudando e estudando os comentários dos conteúdos dos concorrentes dos meus clientes no Youtube, Twitter, Instagram, Tiktok…
Esses comentários são OURO pra entender mais o público-alvo! Ali aparecem coisas que nenhum relatório de mercado mostra!
As pessoas contam dúvidas que talvez nunca fariam diretamente para um especialista, falam de experiências ruins que tiveram, revelam medos sobre contratar determinado serviço…. Muitas vezes também aparecem crenças equivocadas sobre o tema!
4. Pequenas diferenças no público mudam tudo
Tava eu bem bonita ano passado atendendo uma especialista do nicho de advocacia (ainda estou) quando me vem ouuutra advogada de um nicho diferente precisando de ajuda.
O grande problema é que (mesmo sendo de nichos TOTALMENTE DIFERENTES) o público das duas parecia ser o mesmo.
Porém, anos trabalhando com redes sociais, né? E duas coisas eu sei:
- Tem espaço pra todo mundo
- Com a vastidão de marcas no mercado hoje em dia o consumidor pode se dar ao luxo de escolher a que mais se identifica
- Duas empresas aparentemente concorrentes podem atrair pessoas diferentes.
Dito e feito. Foi por meio de pesquisas e testes que encontrei a diferença CRUCIAL/BABILÔNICA no público delas: os sonhos, a forma de ver o mundo. São totalmente diferentes.
Enquanto o público de uma quer ganhar dinheiro, ser reconhecida, aplaudida, ajudar pessoas etc.
O público da outra quer trabalhar 4 ou 6 horas por dia e encher o resto da agenda com academia/pilates, aula de cerâmica, de culinária, e fins de semana em casa com a família.
Sim, isso muda tudo.
5. Identificar prova social fraca ou inexistente
Outro dia, uma especialista entrou em contato comigo. Ela tinha menos de 10k de seguidores maaas, detalhe importantíssimo, já tinha vendido mentoria, curso e tinha mais de 30 alunas. Mais do que isso: as alunas estavam super satisfeitas.
Eu pensei: "babadoooo, a diva tem ouro nas mãos e tá confundindo com pirita"
O primeiro trabalho que fiz? Passei uma estratégia pra ela coletar depoimentos de valor da maneira certa para aumentar o poder de convencimento da página dela.
Depois que fizemos isso, até depoimento dizendo que o curso tinha feito a aluna faturar 130k apareceu.
Duvido que uma IA ia sugerir sequer uma ideia como essa.
6. Criativos que prestam
Não vou mentir, o Chat GPT tinha sugerido pro título desse tópico "Criativos que realmente vendem", mas é porque ele não tem a coragem de falar mal do trabalho dele como eu tenho.
Se eu simplesmente chego e digo: "tenho esse produto, ele entrega isso, custa isso, cria uns criativos para mim", a tendência da IA é fazer o quê? Tentar enfiar todas essas informações dentro da mesma peça!!! Socorroooo.
Ela quer colocar o nome do produto, a promessa, o preço e ainda tentar explicar tudo de uma vez. Só que, na prática, os melhores criativos, principalmente para produtos low ticket, menos é mais.
A pessoa precisa bater o olho e ficar curiosa pra dar o próximo passo.
Só que um bom copywriter SABE que existem vários caminhos completamente diferentes para chamar atenção do público. Ex:
- Comparação: comparando o produto do meu cliente com a bíblia, por exemplo (já fiz isso kkkk)
- Trazer gráficos impressionantes pra chamar atenção
- Contar uma história
- Demonstrar como o produto funciona
Percebe a diferença?
E nesse caso ainda do meu cliente, havia ainda outro detalhe importante: o nome do produto, por si só, não deixava tão clara a transformação prometida. Então não adiantava jogar o nome e o preço e esperar que o lead tivesse interesse suficiente pra IMAGINAR o que o produto oferecia.
7. Encontrar oportunidades invisíveis nos dados
Pra você ter uma ideia… mês passado eu tava analisando o posicionamento digital de uma cliente. Ressuscitei a CSI que há em mim e em vez de fazer o caminho "rápido" (tipo: perguntar direto pra IA quais palavras usar), eu fui pro jeito investigador mesmo. Abri o SEMrush e comecei a fuçar. 😅
Eu ficava imaginando: "Tá… se eu fosse um possível cliente procurando esse serviço… o que eu digitava aqui?"
Testei 54856 combinações de palavras e avaliei uma por uma: volume de busca, concorrência, CPL, etc. Ao final, encontrei o que tanto procurava: uma palavra chave utilizada por clientes de alta consciência e baixo custo para investir.
A IA fez só o trabalhinho de me ajudar a interpretar os dados quando eu tinha dúvida, mas a solução quem encontrou foi eu.
8. Página de vendas que vendem
(agora sim kkk e só quem leu o parágrafo anterior vai entender).
Um dia tava lá eu bem linda e plena quando o cliente mandou a braba: "ei, Ester, duplica aquela página de vendas que cê fez pra mim do low ticket X pra esse low ticket y. Qualquer coisa faz com o Chat GPT."
Ou seja: "pega a receita do Genilson e passa pro Leandro, precisa olhar a mão dele não, tá ligado?" kkkk
Ouuuu… "Pega o vestido de cetim da Flávia e manda pra Zenilda usar. O que? Idaí que a Zenilda engordou? Deve caber! Manda pra ela assim mesmo."
Mas sem ressentimentos, agora vou explicar por A + B o processo que fiz e porque não é tão simples assim.
- Eu sigo a estratégia de página de vendas Low Ticket do Ricardo Maxxima (alguém já ouviu falar?)
- A IA simplesmente não conhece esse método e quando você joga de qualquer jeito ela vai dar um texto desordenado e genérico. Às vezes troca a ordem dos blocos, às vezes elimina trechos que deveriam existir ou mistura etapas da argumentação.
- Masss o maior problema é que o público dos dois produtos é TOTALMENTE diferente. E quando você muda o público, praticamente tudo na página precisa ser reavaliado.
- Promessa, dores, sonhos, inimigos… TUDO é diferente.
Ou seja, até dava pra pegar a estrutura da página anterior (que era a mesma do Maxxima né), mass eu precisei analisar o novo produto, o público, e alterar completamente o sentido da página.
Ferramentas de IA ajudam muito no trabalho de quem produz conteúdo. Eu mesma uso no dia a dia para organizar ideias, gerar rascunhos e acelerar algumas etapas.
Mas o que faz um copywriter profissional não é apenas escrever texto. Espero que este artigo tenha te ajudado a entender isso. Agora vou-me pois meus punhos cansaram de tanto corrigi-lo linha por linha. Bye 😘
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